Dia 30 de julho.
Em algum lugar de São Tomé e Príncipe, alguém começa um novo bordado. Em uma biblioteca no Canadá, um grupo se reúne para costurar e conversar. Na Inglaterra, um museu abre espaço para oficinas. Em diferentes cidades do Brasil, agulhas atravessam tecidos, mãos se encontram e histórias continuam sendo contadas.
Talvez, neste mesmo dia, você também pegue uma agulha.
Não porque precise terminar uma peça, mas porque 30 de julho é o Dia Mundial do Bordado.
A data foi criada em 2011 pela Täcklebo Broderiakademi, na Suécia, com uma proposta simples e bonita: celebrar o bordado como uma linguagem capaz de aproximar pessoas de diferentes culturas. Desde então, museus, escolas, coletivos e bordadeiras ao redor do mundo passaram a marcar esse dia com encontros, oficinas e ações dedicadas à arte de bordar.
Mas talvez o mais interessante seja perceber que todas essas pessoas, mesmo sem se conhecerem, repetem o mesmo gesto.
Passam uma linha por uma agulha.
É um gesto pequeno. Silencioso. Quase sempre lento.
E, ainda assim, atravessa séculos.
O bordado nunca foi apenas uma técnica manual.
Ele registra histórias, preserva memórias, expressa afetos e transforma tecidos em documentos da experiência humana.
Quando bordo uma folha, não estou apenas reproduzindo uma planta.
Estou tentando guardar aquilo que o tempo costuma apagar.
As exsicatas preservam a forma das plantas, mas suas cores desaparecem com os anos. O bordado faz outro caminho: conserva a cor, o relevo, a textura e também a lembrança que aquela planta carrega.
Gosto de imaginar que, no Dia Mundial do Bordado, milhares de pessoas estarão fazendo exatamente a mesma coisa, cada uma à sua maneira. Algumas produzirão obras de arte. Outras estarão apenas remendando uma roupa. Haverá quem borde por tradição familiar, quem borde por profissão, quem borde para descansar a mente ou simplesmente porque gosta da companhia silenciosa da linha.
Nenhum desses motivos é maior que o outro.
Todos mantêm viva uma prática que atravessa gerações.
Enquanto existir alguém disposto a enfiar uma linha numa agulha, haverá também alguém preservando uma memória.
E talvez seja essa a verdadeira celebração do Dia Mundial do Bordado.
Não apenas comemorar uma técnica.
Mas lembrar que cada ponto é uma pequena forma de permanência.
Feliz Dia Mundial do Bordado!
- MITTMANN, Solange; ROSA, Marilane Mendes Cascaes da. A resistência feminina pelo bordado. Revista Leitura, [S. l.], n. 69, p. 122–132, 2021.. (Sugestão de leitura aqui)
- FADEL, Joice Tesseroli. O BORDADO COMO REEXISTÊNCIA: AUTORIA E MEMÓRIA EM NARRATIVAS TÊXTEIS DE MULHERES NO CONTEXTO DA EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA. Revista Conexão UEPG, v. 22, n. 1, p. 01-16, 2026. (Sugestão de leitura aqui)
- ROSA, Lorena de Souza et al. Bordado e resistência: A prática tradicional como potência para a autonomia feminina. 2019. (Sugestão de leitura aqui)


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