Siamo arrivati: as cartas que a gente gosta de ver

2–3 minutos

Depois de escrever sobre as cartas que a gente teme encontrar numa tiragem, fiquei pensando numa pergunta.

Será que existem cartas realmente boas? Acho que não.

Ou talvez exista outra maneira de olhar para isso.

Porque, se algumas cartas nos pedem coragem para atravessar uma fase difícil, existem outras que chegam quase como quem diz:

“Respira.” “Você conseguiu.” “Senta um pouco.”

Essas eu gosto de chamar de cartas de descanso.

Não porque a vida finalmente acabou de testar a gente, mas porque ela também sabe oferecer pequenos lugares onde recuperar o fôlego.

Foi pensando nisso que cheguei ao Quatro de Paus. Sempre que essa carta aparece, tenho vontade de morar dentro dela.

As quatro estacas enfeitadas com flores. As pessoas celebrando.

A sensação de que existe uma casa esperando por alguém. Não é necessariamente uma casa de tijolos. É aquele raro sentimento de pertencer.

De chegar num lugar e perceber que você não precisa provar nada para existir ali. Talvez seja por isso que essa carta me emocione tanto.

Nem sempre a felicidade aparece como uma grande conquista. Às vezes ela chega na forma de uma mesa posta.

De um abraço. De uma conversa demorada. De um “fica mais um pouco”.

Depois vem a Estrela. Acho difícil olhar para essa carta sem lembrar do céu depois da tempestade. Ela não promete que todos os problemas desapareceram.

Ela apenas mostra que ainda existe direção. Esperança nunca foi ausência de sofrimento. Esperança é continuar caminhando mesmo sabendo que ainda falta estrada.

E existe o Sol.

Talvez a carta mais luminosa de todo o tarô. O que mais me encanta nela são os girassóis. Quanto mais observo essa planta, mais acredito que ela ensina uma forma bonita de existir. O girassol não produz a luz.

Ele apenas escolhe voltar-se para ela. Talvez seja isso que essa carta tente lembrar.

Nem sempre conseguimos controlar o que acontece conosco. Mas ainda podemos escolher para onde olhar.

Até os ases, que tanta gente comemora quando aparecem, eu aprendi a receber com delicadeza.

Um Ás de Copas pode anunciar um novo afeto.

Um Ás de Ouros pode abrir uma oportunidade.

Um Ás de Paus pode despertar uma ideia.

Mas continuam sendo sementes. Bonitas. Cheias de possibilidades. E sementes não florescem no mesmo dia em que são plantadas. Talvez seja justamente isso que elas tenham de mais bonito.

Prometem futuro. Não garantia.

No fim das contas, continuo achando que nenhuma carta é completamente boa ou completamente ruim.

Tudo é movimento. Talvez o verdadeiro presente não seja encontrar uma carta “perfeita”.

Talvez seja perceber que, depois de atravessar tantos invernos, a vida também nos oferece momentos de descanso.

É para isso que serve um Quatro de Paus.

Não para dizer que a jornada acabou.

Mas para lembrar que podemos celebrar cada trecho percorrido.

Porque, às vezes, chegar não significa alcançar o destino.

Significa apenas olhar para trás e perceber que sobrevivemos ao caminho.

Siamo arrivati.

  • Foi usado o tarô RWS (Rider-Waite-Smith), criado por Arthur Edward Waite em 1909 e ilustrado por Pamela Colman Smith. Popularmente conhecido por ser o conjunto de cartas mais usado para os iniciantes.


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