8 de julho: o Dia do Pesquisador e da Ciência no Brasil

3–5 minutos

O dia 8 de julho reúne duas comemorações importantes: o Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do(a) Pesquisador(a) Científico(a). A data homenageia a fundação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), criada em 8 de julho de 1948 e considerada um dos marcos da organização da pesquisa científica no Brasil.

As comemorações foram oficializadas por duas leis: uma, de 2001, instituiu o Dia Nacional da Ciência; outra, de 2008, criou o Dia Nacional do Pesquisador Científico. Mais do que celebrar instituições, a data lembra algo essencial: a ciência existe porque existem pessoas dedicando anos de suas vidas a fazer perguntas.

Pesquisar, quase sempre, começa com uma inquietação.

É olhar para algo aparentemente comum e perguntar: por quê?

É desconfiar das respostas prontas.

É aceitar que, muitas vezes, uma boa pesquisa produz mais perguntas do que respostas.

A ciência brasileira é reconhecida internacionalmente em diversas áreas, e a Ciência da Informação, a Biblioteconomia, a Arquivologia e a Museologia, minha área de formação, têm uma característica que sempre me chamou atenção: a forte presença de mulheres pesquisadoras.

Ao longo da graduação, tive o privilégio de aprender com professoras que ajudaram a construir meu modo de pensar.

A Prof.ª Dra. Márcia Regina da Silva (FFCLRP/USP) apresentou caminhos importantes na altmetria, ampliando a forma como compreendemos o impacto da produção científica para além das métricas tradicionais.

A Prof.ª Dra. Deise Maria Antonio Sabbag (FFCLRP/USP) mostrou a beleza da organização do conhecimento, da indexação e das linguagens documentárias, áreas fundamentais para quem acredita que organizar informação também é produzir conhecimento.

A Prof.ª Dra. Ednéia Silva Santos Rocha (FFCLRP/USP) desenvolve pesquisas em comunicação científica, indicadores bibliométricos, altmetria, acesso aberto e integridade científica, temas que hoje ocupam um lugar central no debate sobre ciência.

A Prof.ª Dra. Silvia Maria do Espírito Santo (FFCLRP/USP), minha orientadora, foi quem me ajudou a perceber que memória e ancestralidade também poderiam ser caminhos legítimos de pesquisa. Seus estudos em Arquivologia, Museologia e Ciência da Informação, aliados à experiência junto às etnias Xavante e Kuikuro, abriram portas importantes para aquilo que hoje continuo desenvolvendo.

Também não poderia deixar de lembrar duas referências incontornáveis da Arquivologia brasileira.

A Prof.ª Dra. Ana Maria de Almeida Camargo contribuiu de forma decisiva para a implantação de sistemas de arquivos e para projetos fundamentais de preservação da memória, como o Brasil: Nunca Mais.

E a Prof.ª Heloísa Liberalli Bellotto formou gerações de arquivistas e pesquisadores por meio de obras que continuam sendo leitura obrigatória para quem entra na área.

Todas elas, cada uma à sua maneira, ajudaram a construir a pesquisadora que hoje começa a caminhar com as próprias pernas.

Pesquisar nunca foi apenas produzir artigos. É aprender a observar o mundo com atenção, registrar aquilo que poderia ser esquecido e reconhecer que o conhecimento sempre é construído coletivamente. Nenhuma pesquisa nasce sozinha.

Neste blog convivem textos científicos, ensaios, receitas, símbolos, bordados e memórias. À primeira vista, parecem mundos diferentes. Para mim, todos nasceram da mesma pergunta que move qualquer pesquisador: “o que posso aprender com isso?”

Hoje posso celebrar essa data também como pesquisadora.

Ainda tenho muito a estudar, muito a escrever e muito a aprender. Mas existe uma alegria silenciosa em perceber que aquele caminho iniciado na graduação continua sendo percorrido.

A pesquisa, afinal, é exatamente isso.

Um fio que alguém começou antes de nós, que seguramos por um tempo e que, um dia, passaremos adiante.

  • DA SILVA, Márcia Regina; HAYASHI, Carlos Roberto Massao; HAYASHI, Maria Cristina Piumbato Innocentini. Análise bibliométrica e cientométrica: desafios para especialistas que atuam no campo. InCID: revista de ciência da informação e documentação, v. 2, n. 1, p. 110-129, 2011. (Sugestão de leitura aqui)
  • SABBAG, Deise Maria Antonio; DE OLIVEIRA SILVA, Bruna Daniele. Organização do conhecimento na era da cultura de convergência: as fanfictions e a curadoria classificatória. Revista Analisando em Ciência da Informação, v. 5, n. 2, p. 47-64, 2017. (Sugestão de leitura aqui)
  • ROCHA, Ednéia Silva Santos. Contribuições da Fundação Ford à formação e consolidação de campos científicos no Brasil. 2016.  (Sugestão de leitura aqui)
  • MARCUSSI, Elaine; DO ESPÍRITO SANTO, Sílvia Maria. Vila Tibério: um patrimônio da cidade em transformação. Documentação fotográfica e a Organização da Informação a partir do acervo do Jornal da Vila de Ribeirão Preto–a memória mensal de uma cidade. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, v. 2, n. 2, p. 189-207, 2011. (Sugestão de leitura aqui)
  • LOPEZ, André Porto Ancona; CAMARGO, Ana Maria de Almeida. As razões e os sentidos: finalidades da produção documental e interpretação de conteúdos na organização arquivística de documentos imagéticos. 2001. (Sugestão de leitura aqui)


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