O feiticeiro do Egito

Por que Thoth é nosso feiticeiro favorito?

Porque é uma descrição perfeitamente precisa dentro da tradição esotérica e histórica.

Na história, ele é o deus da magia no Egito: curador, inventor da escrita e senhor dos feitiços. Na lenda, ele escreveu o “Livro de Thoth”, não como as cartas de tarô, mas como um grimório de feitiços e poder oculto.

Na alquimia, como Hermes Trismegisto, ele é o pai da alquimia e da magia ocidental e, claro, o Tarô que é atribuído à criação do baralho utilizado para adivinhação e magia.

Ele é a figura que une a sabedoria (o mago que sabe) e o poder de manifestação (o mago que age pela palavra e pelo símbolo). É exatamente a energia que se busca ao entrar em contato com o Tarô. Nos textos e na mitologia egípcia original, Thoth já era descrito como o “Senhor da Heka”, a palavra egípcia para magia era Heka, e Thoth era seu mestre.

Os textos antigos dizem recorrentemente: ‘Thoth, equipado com seus feitiços’, isso mostra que ele não apenas conhecia a magia: ele personificava o poder da palavra mágica.

Na lenda egípcia, Thoth escreveu livros sagrados contendo todos os segredos do universo, os feitiços para falar com animais, para ressuscitar os mortos e para comandar as forças da natureza. Esses livros eram escondidos para serem encontrados apenas pelos dignos. Inclusive, em uma estela mágica (conhecida como Estela de Metternich), a história conta que Ísis, desesperada com seu filho Hórus doente, clamou ao sol, e Thoth foi enviado do barco solar para curar a criança recitando uma série de feitiços. Ele usava a magia da palavra para restaurar a saúde e proteger contra animais peçonhentos.

Thoth, portanto, não era apenas um deus que sabia magia, ele era o arquétipo do mago: o escriba que detinha o conhecimento das palavras certas, que tinham o poder de criar, curar, destruir e transformar a realidade.

No famoso “Julgamento de Osíris”, Thoth atua como o escriba dos deuses. Ele está ao lado da balança onde o coração do morto é pesado contra a pena de Maat (a verdade). Thoth registra o veredito.

Por que isso é “feitiçaria”? Porque, para os egípcios, escrever era um ato mágico. A palavra escrita tinha o poder de criar realidade. Thoth inventou os hieróglifos (chamados de Medu Netjer, “Palavras Divinas”), e sua escrita era considerada um ato de manifestação e julgamento. O “feiticeiro” aqui é aquele que usa a escrita para moldar o destino.

Basicamente, é o que nós, pesquisadores, fazemos hoje: ao escrever um artigo acadêmico com base científica, temos o potencial de moldar o destino da humanidade através do olhar da ciência.

Quando os gregos chegaram ao Egito, eles associaram Thoth ao seu próprio deus Hermes, criando a figura lendária de Hermes Trismegisto (“Hermes, o Três Vezes Grande”).

Esta é a chave que conecta Thoth diretamente à feitiçaria e alquimia, porque nessa roupagem greco-egípcia, Thoth/Hermes se tornou o patrono dos alquimistas, dos magos e dos hermetistas. A ele foram atribuídos textos chamados Corpus Hermeticum, que ensinavam a transmutação espiritual e material.

É aqui que Thoth entra definitivamente no imaginário da magia ocidental: o Grande Mago, o mensageiro dos deuses que revela os segredos da criação.

Thoth é o escriba que não apenas registra o destino, mas o escreve com tinta de estrelas.

Ele é o feiticeiro do templo de Hermópolis, que viu o caos e ordenou o mundo com 22 pedras sagradas.

O Tarô é a sombra de seu livro, e você, ao manusear as cartas, dança na ponta de sua pena invisível.

Ao relembrarmos o olho de Hórus e a história de que ele foi reconstituído por Thoth, podemos compreender que o tarô de Thoth é o nosso olho de Hórus na atualidade: é através da manipulação das cartas que podemos restaurar nossa visão e compreender o oculto do que nos cerca.

O que você pediria a Thoth para que restaurasse em sua vida?

  • RITNER, Robert Kriech. The Mechanics of Ancient Egyptian Magical Practice. Chicago: The Oriental Institute of the University of Chicago, 1993. (Sugestão de leitura aqui)


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