Você já leu a parte 1 dessa historinha aqui?
Então vamos continuar…
Depois que o Louco aprendeu sobre tradição e soltou o que não servia mais, ele chegou numa encruzilhada, os Enamorados.
Não é só sobre amor romântico, não. É sobre escolha.
A carta dos amantes é tipo aquela conversa da Alice com o Gato:
“Poderia me dizer, por favor, qual caminho devo seguir daqui?” – pergunta Alice.
“Isso depende muito de onde você quer chegar.”- responde o Gato.
“Não me importa muito onde…”- responde Alice
“Então não importa qual caminho você escolha.”- aponta o Gato.
O Louco escolheu. Mas ficou parado, olhando pro chão.
Aí veio o Carro com uma buzina ensurdecedora: “Você já decidiu, cacete! Agora ANDA!”
Movimento. Ação. O volante na mão. Duas esfinges puxando pra lados opostos, uma preta, uma branca. O Louco aprendeu: controlar não é forçar. É equilibrar.
No meio da estrada, ele encontrou um leão. Bicho enorme, dentes à mostra. Ele congelou. Mas uma mulher chegou, passou a mão na juba do bicho… e o leão ronronou. Era a Força.
Ela ensinou: força não é estrondo. Não é domar na marra. É calma diante do que assusta. É saber que o monstro também tem medo. Às vezes, tudo que o leão precisa é de um carinho.
O peso da caminhada começou a apertar. O Louco se sentiu sozinho. Aí subiu uma montanha e encontrou o Eremita, um velho com uma lanterna.
O velho não apontou a luz pra estrada. Ele apontou pro peito do Louco.
“Desce”, disse. “Desce pra dentro. O que você procura não tá lá fora. Tá no escuro que você nunca iluminou.”
O Louco desceu. Ficou lá um tempão. Quieto. Pensando na morte da bezerra.
E foi nesse momento, sem ele fazer nada, sem pedir licença, sem aviso nenhum, que a vida simplesmente acontece.
Chegou a Roda da Fortuna. Gigante. Subindo, descendo. Uma esfinge no topo, um cachorro descendo, uma cobra subindo.
O universo disse: “você parou. Escutou. Agora eu giro. Não reclama do sentido. Roda é roda.”
O Louco segurou. Porque tem hora que a gente não controla nada. A gente só se agarra e reza pra não cair.
Continua na Parte 3… agora o caos começa de verdade.
Nota da autora: O Louco ainda está de pé. Mas a Torre está chegando.
- Foi usado o tarô RWS (Rider-Waite-Smith), criado por Arthur Edward Waite em 1909 e ilustrado por Pamela Colman Smith. Popularmente conhecido por ser o conjunto de cartas mais usado para os iniciantes.


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