Vamos refletir juntos?
Outro dia, conversava com uma amiga: ainda é relevante escrever num blog em pleno 2026? Parece que as pessoas estão todas alienadas assistindo novelas de frutas que nem têm crítica social profunda.
Aí percebemos: é exatamente disso que as pessoas precisam. De embasamento.
As pessoas precisam de conexão, de profundidade, de se ver refletidas em pensamentos alheios para reconhecerem a si mesmas. Parece que perdemos a capacidade de fazer conexões profundas. A internet realmente está morta… sabe? A teoria da conspiração…
Eu me formei em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela USP. Numa universidade pública, com alma de revolucionária, o principal aprendizado não é a carga estrutural do curso. É se tornar questionador.
Quem se forma numa universidade pública, seja estadual ou federal, forma-se pesquisador. Nunca satisfeito com as respostas prontas. É por isso que é tão difícil fazer ciência: a gente tá sempre brigando, batendo nas portas, questionando, duvidando. E recebendo “Não!”, “Teu lugar não é aqui!”, “Melhor não perguntar sobre isso!”, “Sempre foi assim, não é agora que vai mudar!”.
Exaustivo!
Minha pesquisa gira em torno do bordado como ato de memória, resistência e transformação feminina, o devir. Mas vi e vivi que, na prática, a beleza da teoria não se sustenta. É preciso lutar contra um sistema inteiro. Pessoas que estão no poder tentam impor limites para quem só quer reconhecimento.
Por isso é tão importante ter um espaço para escrever tudo o que penso. A intenção desse blog, inicialmente, foi compilar minhas ideias. Aqui compartilho exposições, reflexões pessoais e os pensamentos que os artigos acadêmicos não comportam.
Porque não é fácil fazer ciência. Tudo o que é escrito precisa ser validado e revisado antes. Muitas vezes não se encontra fontes relevantes que possam validar uma linha de pensamento. Outras vezes, mesmo encontrando a tal fonte, você esbarra no preconceito. Ou na hierarquia. (Aqui você pode interpretar como quiser, posso garantir que todas as interpretações possíveis são cabíveis.)
Ao mesmo tempo, isso não é um limitador para eu ser quem sou.
Aprendi que a gente nunca sabe quem está se inspirando na gente. Então quero continuar minha escrita. Se ao menos uma única pessoa ler e se sentir inspirada, eu já me sinto bem.
Se não me falha a memória, Fernando Pessoa descreve os seres humanos como “bolhas transeuntes”, uma reflexão sobre a efemeridade da vida. A imagem é poética: o “eu” é apenas uma passagem. A vida é frágil e transitória.
Então, já que somos todos bolhas transeuntes, vou deixar escritas aqui para a posteridade. Penso que talvez outra bolha possa transitar por aqui um dia.
Nota da autora: Sem fontes hoje. Foi apenas um desabafo dos dias mais sombrios, quando se recebe uma recusa de um periódico. Dias melhores virão. Preparei uma xícara de chá de maçã com canela (meu favorito). A luta continua depois do descanso.


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