Você já leu a parte 1 dessa historinha aqui?
E a parte 2 aqui?
A parte 3 foi a mais interessante! Aqui
Então deixa eu finalizar essa jornada!
A Torre desabou. O Louco ficou no meio dos escombros, coberto de poeira. Não sabia pra onde ir. Não sabia quem era. Mas aí, no escuro, um brilho distante.
A Estrela. Uma mulher nua à beira d’água, derramando líquido no rio e na terra. Ela olhou pro Louco com uma doçura que ele já tinha esquecido que existia.
“Despeje o que sobrou”, ela disse. “Não guarda nada. A água limpa. A noite passa.”
O Louco chorou. Mas dessa vez, não foi de dor. Foi de alívio. Pela primeira vez depois de muito tempo, ele sentiu esperança. Não uma esperança gritante, dessas que enganam. Uma calma. A certeza de que, mesmo destruído, ele podia recomeçar.
Ele caminhou mais um pouco e entrou num lugar estranho. A lua cheia no céu. Cães uivando. Um caminho sinuoso entre duas torres. Era a própria Lua.
O inconsciente. Os medos disfarçados, as ilusões, os monstros que não existem, mas que doem como se existissem.
O Louco sentiu medo. Mas seguiu. Porque a Estrela tinha dito: “a noite passa.”
E passou.
Quando raiou o Sol. Uma criança num cavalo branco, um muro de girassóis ao fundo. Alegria. Clareza. A verdade sem véu.
O Louco riu. Pela primeira vez na jornada inteira, ele riu de verdade. A vida não era só tormento. A vida também era isso: luz, calor, a simplicidade de estar vivo num dia bonito.
No alto da montanha, ele ouviu uma trombeta. Era o Julgamento. Anjos, tumbas abertas, pessoas ressuscitando. Não era sobre fim do mundo. Era sobre chamado.
“Levanta”, disse a trombeta. “Você não veio até aqui por acaso. Escuta o que chama de dentro.”
O Louco escutou. E ouviu a própria voz. Não era mais a voz de quem pedia permissão. Era a voz de quem sabia.
Finalmente, ele chegou. O Mundo.
Uma dançarina no centro de uma mandala. Uma coroa de louros. Os quatro cantos da terra, um anjo, uma águia, um touro, um leão.
O Louco dançou com ela. Porque ele já não era mais o mesmo de quando pulou o abismo lá atrás. Ele tinha caído, aprendido, escolhido, desabado, chorado, curado.
E agora ele estava ali, inteiro, não porque nunca foi partido, mas porque aprendeu a juntar os cacos.
O ciclo se fechou.
O Louco olhou pra trás. Viu a estrada, os tombos, os encontros, as despedidas.
E, no centro do Mundo, ele entendeu: a jornada nunca acaba. Ela só reintegra.
Agora é outra jornada. Outro abismo. Outro Louco, o mesmo, mas renovado.
No final de todas as coisas, ele não está mais sozinho.
Porque o Mundo é a gente. E a gente é o Mundo.
Fim da jornada… ou só o começo?
Nota da autora: O Louco desabou, mas levantou. Bordou os cacos, costurou as quedas. E dançou. Você também vai.
- Foi usado o tarô RWS (Rider-Waite-Smith), criado por Arthur Edward Waite em 1909 e ilustrado por Pamela Colman Smith. Popularmente conhecido por ser o conjunto de cartas mais usado para os iniciantes.


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