Você já leu a parte 1 dessa historinha aqui?
E a parte 2 aqui?
Tá bom! então vamos continuar… porque agora o bicho pega!
Depois que a Roda girou e o Louco quase caiu, ele precisou colocar as coisas no lugar. Aí apareceu a Justiça. Espada na mão, balança na outra. Sem conversa mole.
“Você colheu o que plantou? Então assume.”
Não é sobre punição. É sobre responsabilidade. Sobre olhar pra trás e ver que cada escolha teve um preço, e que tudo bem. Agora segue.
O Louco virou a esquina e viu um homem pendurado de cabeça pra baixo. O Enforcado.
“Nossa! Vou te ajudar a descer!”
“Não precisa”, respondeu o pendurado. “Às vezes você precisa ver o mundo de ponta-cabeça pra enxergar o que sempre esteve na sua frente.”
O Louco parou. Respirou. Inverteu o olhar. E entendeu.
Aí veio a mais temida de todas, a Morte. Calma, não é fim de tudo não! Como já dizia Chicó: “o único mal irremediável” que estamos falando aqui. É ciclo. É pele que cai pra nova nascer. É o fim de uma fase. A Morte chega com uma bandeira preta e um cavalo branco. Ela não mata o corpo. Ela mata o que não serve mais.
O Louco sentiu um aperto. Mas deixou ir.
Depois da Morte, veio a Temperança, com dois cálices nas mãos, misturando água em fogo. Equilíbrio. Nem muito pra lá, nem muito pra cá. A vida não é oito ou oitenta. É o meio. É o ajuste fino. É saber que depois da tempestade, você não volta a ser quem era, mas também não precisa virar outra pessoa. Você só… integra (Tipo o meu devir).
E aí o negócio escureceu.
O Diabo apareceu. Chifres, asas de morcego, um trono de pedra. Ele não veio com chicote. Veio com correntes invisíveis.
Olhou pro Louco e apontou: “O que te prende? O que você finge que não vê? Qual vício, qual medo, qual desculpa você repete?”
O Louco olhou pra si. Viu as amarras. Algumas eram velhas conhecidas.
E então…
A Torre desabou.
Raio. Fogo. Coroas caindo. Paredes explodindo. Dois corpos em queda livre. Não avisou. Não perguntou. Simplesmente veio.
Foi o tombo. O colapso. A estrutura que parecia inabalável virou pó.
O Louco chorou. Mas no fundo do poço, sem nada ao redor, ele sentiu algo estranho: alívio.
Porque às vezes a vida precisa desabar pra você parar de fingir que aquela parede rachada ainda segurava alguma coisa.
Continua na Parte 4… depois da tempestade, a estrela aparece.
Nota da autora: O Louco sobreviveu. Mas ficou com cicatrizes. É sobre isso e tá tudo bem!
- Foi usado o tarô RWS (Rider-Waite-Smith), criado por Arthur Edward Waite em 1909 e ilustrado por Pamela Colman Smith. Popularmente conhecido por ser o conjunto de cartas mais usado para os iniciantes.


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